Dia Internacional do Idoso: O papel dos idosos ao longo da história

Conheça os desafios de uma sociedade cada vez mais envelhecida e saiba como o papel dos idosos mudou ao longo dos tempos

Imagem de um coração vermelho
Dia Mundial do Coração: Previna-se de doenças cardíacas e prefira uma vida mais saudável
21 Setembro, 2017
Imagem de uma pessoa numa cadeira de rodas
Viver com mobilidade reduzida em Portugal: as dificuldades dentro e fora de casa
27 Setembro, 2017
Imagem de duas idosas

A população mundial está a envelhecer é hora de pensar no papel dos idosos numa sociedade cada vez mais envelhecida. Na maioria dos países, a percentagem do número de pessoas idosas tem aumentado drasticamente. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que, até 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos triplique de 400 milhões para mais de dois milhões.

Estes dados estatísticos representam um enorme desafio para a atual estrutura social. Como vamos adaptar-nos a este envelhecimento populacional? Qual o papel dos idosos na sociedade atual? Quais as medidas que estão a ser adotadas para combater este fenómeno?

Apesar do cenário ser definido por muitos como “assustador”, devemos reconhecer que esta é uma excelente oportunidade para abordar melhorias sociais e científicas, reconstruindo, assim, um melhor ambiente para o envelhecimento da populacional, ao mesmo tempo que repensamos no papel que o idoso desempenha na sociedade.

Para entender melhor como o papel dos idosos na nossa sociedade pode mudar para melhor, importa, também, entender de onde viemos e para ponde queremos ir. Por isso, vamos explorar alguns dos vários papéis que os idosos desempenharam ao longo da história com o objetivo de caminhar para uma sociedade ainda mais inclusiva.

Conceito de idoso

Os seres humanos tendem a classificar as pessoas em categorias. De fato, classificamos as pessoas desde o início da civilização. Por isso, quando alguém atinge 65 anos de idade, ele/ela é categorizado como um idoso, mesmo que essa pessoa não se reconheça como sendo velha ou sénior. Isso acontece por razões utilitárias, portanto, é apenas uma construção social em vez de um estágio biológico definitivo.

Imagem de um casal mexicano

Além disso, a idade cronológica indicada pela “velhice” pode variar tanto cultural quanto historicamente. Infelizmente, há sempre um estigma associado a “pessoas idosas” e “velhice”, e é por isso que culturas diversas em todo o mundo sentem a necessidade de encontrar eufemismos.

São muitas as pessoas que não gostam de serem categorizadas como idosas ou idosas. Em vez disso, preferem apenas ser chamados de “velhos” e enfrentar o fato de que eles não são tão jovens quanto antes. Outros, consideram este termo como algo revestido de conotações negativas e recusam esse tipo de categorização. De qualquer forma, é uma questão sensível.

Como o papel dos idosos mudou ao longo da história?

De onde nós viemos? E como o papel dos idosos mudou ao longo da história? Do ponto de vista histórico, há fatos surpreendentes e muitas vezes tristes sobre a velhice. Do ponto de vista biológico, antes do séc. XX, as taxas de expectativa de vida eram, na maior parte, inferiores a 60 anos. Por isso, ninguém esperava o tipo de longevidade que estamos a observar atualmente.

Imagem de uma idosa

Do ponto de vista sociológico, sempre houve alguma ambiguidade sobre a velhice. A velhice poderia ser vista como uma fonte de sabedoria e prestígio, mas também como um estágio de decrepitude e uma fonte de sofrimento.

Tempos antigos

Embora algumas pessoas fortes e saudáveis chegassem aos 70 anos de idade, a maioria das pessoas morriam antes dos 50 anos. Aqueles que viveram na década de 40 foram tratados com respeito, mas os idosos mais fracos eram considerados um fardo, ignorados e até mortos. Nos tempos antigos, a palavra “idoso” era aplicada não de acordo com a idade, mas com a perda de habilidade para executar tarefas úteis.

Antiguidade clássica grega e romana

A velhice foi vista como um estágio de declínio e decrepitude, enquanto a beleza, força e juventude foram valorizadas acima de tudo. Os atenienses, na época de Aristóteles, não gostavam de pessoas idosas e, muitas vezes, revoltavam-se contra eles.

Período medieval e renascentista

Nenhum destes períodos provou ser a “idade de ouro do envelhecimento” e houve muitas vezes uma abordagem antagonista em relação aos idosos. A velhice era frequentemente retratada como uma fase de vida cruel ou fraca.

No entanto, alguns dos utópicos do século 16, como Thomas More, começaram a imaginar um mundo onde os idosos pudessem escolher entre viver em decrepitude ou escolher morrer com dignidade.

Pensamento oriental: confucionismo

No pensamento oriental, e com a influência do confucionismo, vemos uma abordagem mais coletivista, onde o valor das hierarquias da família, do idoso e da idade tradicional tornava-se cada vez mais importante.

Cultura mediterrânea e latina

Esta é outra cultura que olha para os anciãos como pessoas de grande importância. A geração mais antiga é frequentemente confiada para auxiliar no cuidado dos mais novos, enquanto o resto da família se ausenta para trabalhar. Como tal, é dado o devido valor aos idosos, respeitando o papel destes na sociedade.

Período moderno

Devido a muitas melhorias ao longo dos séculos, a expectativa de vida é de aproximadamente 79 anos para homens e 83 anos para mulheres. Mas nas culturas ocidentais modernas, o status cultural dos idosos diminuiu. À medida que vivem mais, os idosos muitas vezes se encontram deslocados devido a restrições financeiras ou a incapacidade de viver independentemente. Muitos são obrigados a mudar para lares. Na verdade, a cultura ocidental moderna é muito conhecida pelos focos individualistas em “juventude, autoconfiança e individualismo”. Como resultado, em 2011, as Nações Unidas propuseram uma convenção de direitos humanos que protegeria especificamente as pessoas idosas. O fato é que muitas dinâmicas familiares mudaram dramaticamente, com mais avós do que crianças.

Papel do idoso na sociedade atual

O papel dos idosos está sempre em constante mudança, variando de cultura para cultura, ao longo das diferentes épocas. Mas, na verdade, apesar de poderem ser menos fortes, as pessoas mais velhas são, sem dúvida, um oceano de experiência e sabedoria que podem servir como exemplo para gerações mais novas.

Imagem de dois idosos a conversar

Aliás, atualmente, as pessoas idosas desempenham um papel fundamental na transmissão de valores e na preservação de tradições, pois, são eles os guardiões de uma rica herança cultural.

Felizmente, os tempos estão a mudar e as novas gerações estão a ser ensinadas a cultivar o respeito pelos mais velhos, com o objetivo de proteger as gerações mais antigas. No fundo, a ideia de aprender com os outros e cada vez mais apreciada pela nossa sociedade e esperamos que se prolongue por muitos anos.

Será que estamos a caminhar para uma sociedade inclusiva das pessoas da terceira idade?

Embora ainda haja um número significativo de idosos que vivem em condições menos favoráveis, a verdade é que, nos últimos anos, os esforços têm sido muitos para melhorar esta situação.

Na verdade, para que consigamos caminhar para uma sociedade inclusiva, devemos deixar de parte a visão assustadora do impacto do envelhecimento populacional e abraçar uma abordagem mais equilibrada, procurando implementar novas soluções que abordassem desafios reais, tais como:

  • Como podemos garantir que as pessoas idosas recebem o apoio que precisam para adaptar as suas casas à idade e permanecerem, assim, independentes por quanto tempo puderem?
  • Como podemos garantir que aqueles que cuidam das pessoas idosas- os cuidadores- recebem o apoio e a formação necessária para desempenhar?
  • Como conseguimos tornar a sociedade mais amigável do idoso, permitindo que estes deem o seu contributo e que tenham melhor qualidade de vida?

Por todo o mundo, existem exemplos de políticas que visam melhorar a inclusão dos idosos numa sociedade em constante mudança e com ritmo acelerado. Tornar o ambiente mais amável e mais acessível para os idosos deve ser uma preocupação de todos os governos, especialmente quando se trata de proporcionar ambientes seguros. Exemplo disso, em Portugal, é o Complemento Solidário para Idosos, um apoio social financeiro pago todos os meses a idosos com baixos recursos financeiros.

A Stannah acredita que a preocupação como os idosos deve ser estendida às suas residências, fornecendo o apoio necessário para as adaptações de mobilidade, garantindo que os idosos possam envelhecer felizes onde desejam.

O caminho para uma sociedade inclusiva das pessoas da terceira idade ainda é longo, mas acreditamos que, cada vez mais, esta preocupação é alvo de atenção um pouco por todo o mundo. Feliz Dia Internacional do Idoso.

Daniela Sepúlveda
Daniela Sepúlveda
Editora da Stannah Portugal

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

O seu endereço de email não será publicado.